Educação financeira na infância faz parte da sua realidade? O tema era uma matéria presente na sua escola? Você se lembra de como aprendeu a lidar com dinheiro? Para muita gente, a resposta é: na marra. A verdade é que boa parte dos brasileiros cresceu sem aprender a poupar, planejar ou até mesmo entender como funciona o básico da economia do dia a dia. Mas isso está começando a mudar, e por um caminho muito interessante: a partir das carteiras escolares.
Educação financeira na infância agora faz parte do currículo escolar
Nos últimos anos, o Brasil tem dado passos importantes para tornar a educação financeira um direito e não apenas um privilégio. Desde 2020, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já prevê que o tema seja trabalhado nas escolas públicas e privadas do ensino fundamental e médio, de forma transversal, especialmente dentro de matemática e ciências humanas.
Além disso, projetos de lei mais recentes, como o Projeto de Lei 3851/2021 e o Projeto de Lei 3145/20, desejam reforçar a obrigatoriedade do ensino de educação financeira desde os primeiros anos escolares. O objetivo é formar cidadãos mais conscientes, preparados para lidar com seu próprio dinheiro e contribuir para uma sociedade mais equilibrada economicamente.
Empresas do setor financeiro e instituições do terceiro setor também estão desempenhando um papel essencial nesse avanço, oferecendo soluções acessíveis, lúdicas e inclusivas para crianças e jovens aprenderem sobre finanças.
Todos os anos, durante a Semana ENEF (semana nacional da educação financeira) governos e empresas se unem para proporcionar ações que levem formação e informação financeira para mais pessoas de forma acessível.
Afinal, o brasileiro é educado financeiramente?
Infelizmente, não muito. De acordo com a pesquisa PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), realizada pela OCDE, os estudantes brasileiros estão entre os que têm menor desempenho em educação financeira, comparados a outros países participantes.
Além disso, dados de uma pesquisa do IBOPE em 2020, apontou que apenas 21% dos brasileiros de classes A, B e C com acesso à internet tiveram educação financeira durante a infância.
Isso ajuda a explicar por que tantos adultos enfrentam dificuldades para sair das dívidas, construir uma reserva de emergência ou entender como funcionam investimentos básicos.
Por que ensinar finanças desde a infância?
Ensinar educação financeira para crianças não significa fazer com que elas se preocupem com boletos ou taxas de juros. Pelo contrário: é uma forma leve e eficaz de apresentar conceitos como valor do dinheiro, planejamento, consumo consciente e responsabilidade.
Com atividades lúdicas, mesadas educativas e até jogos digitais, é possível mostrar desde cedo que escolhas conscientes fazem toda a diferença no futuro.
Aliás, aqui na Qista, sempre falamos sobre o poder do conhecimento como ferramenta de transformação. E quando esse conhecimento começa cedo, ele tem ainda mais impacto. Afinal, aprender a cuidar do dinheiro é também aprender a cuidar da própria liberdade.
Como começar?
Se você é pai, mãe ou responsável, algumas atitudes simples são interessantes para inserir a educação financeira na rotina de forma lúdica:
- Converse sobre dinheiro em casa, com naturalidade.
- Dê uma mesada simbólica e ajude a criança a planejar como usá-la.
- Use jogos e livros infantis com temáticas de finanças.
- Estimule metas simples, como juntar para comprar algo desejado.
- E, claro, seja um exemplo no seu próprio comportamento financeiro.
Com leis avançando, escolas se preparando e famílias mais atentas, a educação financeira para crianças tem tudo para deixar de ser uma exceção e se tornar a regra.
Quanto mais cedo a gente aprende sobre dinheiro, mais liberdade, autonomia e tranquilidade pode conquistar ao longo da vida.



